Carta para abrir no fim de 2026



Muitos rios de tinta já foram derramados sobre o Ano Novo desde que a crônica é crônica. Ainda assim, centenas - talvez milhares - de cronistas se lançam ao desafio de dizer algo original sobre o tema a cada virada de ano. Este ano, resolvi me juntar a eles escrevendo uma carta para mim mesmo, a ser lida nos últimos dias de 2026. Alguém certamente já fez algo parecido, mas não dessa forma, claro. Eis a carta que abrirei às portas de 2027.

Caríssimo,

Se você está lendo esta carta, é porque viveu mais um ano, e então, temos aqui a primeira boa notícia. Agora vá até a balança, aquela embaixo do armário do banheiro da suíte, e se pese. Se estiver abaixo dos oitenta e seis, temos outra boa notícia. O plano de reduzir a quantidade de Coca-Colas consumidas foi bem sucedido? E aquela meta de regularidade na atividade física foi atingida? Bem, não vamos exagerar nas cobranças, duas boas notícias já são suficientes. 

Espero que tenha aproveitado os novos direitos conquistados neste primeiro ano de terceira idade. Não posso revelar a fonte, mas me contaram que você usou sem remorso o direito de furar a fila de embarque no aeroporto. É isso aí, não se sinta culpado, você merece. Sim, estão te vigiando, mas não se preocupe: é para o seu bem.

E as dores que vêm e voltam, melhoraram?  Ninguém faz planos quando está com dor. Todos os caminhos levam ao trapézio. O tempo passa rápido pra quem tá se divertindo. O primeiro pivô é um marco importante na vida de um homem. Você está se saindo um bom frasista, espero que tenha acrescentado novas frases ao repertório este ano que passou. 

Mais três anos, estaremos em 2030. Muitas das previsões dos Jetsons se confirmaram, mas continuo esperando pelos carros voadores que sonhávamos pilotar.  Voce deixou para trás as fitas K7, os LPs, a Monareta, o carrinho de lomba e os disquetes. E agora usa IA como se ela sempre tivesse existido? O futuro da humanidade está em risco, compartilho contigo essa preocupação, mas nossa geração já venceu muitos desafios, deixemos alguns para as próximas.

Ah, sim, fim de ano remete a balanço de realizações.  Em 2025 foram muitas, mesmo que, para você, tenham parecido poucas. Você publicou um belo livro, reativou o blog de crônicas em outro patamar de qualidade e de leitores, ajudou a consolidar uma bela equipe no trabalho, voltou a tocar violão e até voltou a postar nas redes sociais enfrentando o Urtigão que insiste em morar aí dentro. Tenho certeza de que tens vários feitos dignos de comemoração em 2026. Às vezes, o problema não é a falta de conquistas,  e sim a boa vontade em reconhecê-las. 

Antes de me despedir, quero te desejar um feliz 2027. Se eu tivesse direito a apenas um desejo, te desejaria saúde, pois o resto sei que você dá conta. Às vezes, aos trancos e barrancos, mas dá. Continue escrevendo, tocando violão, cultivando amizades e boas relações. Nunca esqueça: qualquer gesto que deixe o mundo um pouco melhor, conta. Por menor que seja.

 


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