
Decepcionado com a falta de sorte nos relacionamentos amorosos, Benjamin resolveu investir em relacionamentos virtuais. Questionado pelos amigos, justificou a atitude como necessidade de adaptação à nova realidade. Até então, Benjamin era leigo no assunto, achava que amor virtual era quando alguém fingia amar outra pessoa. De alguma forma estava certo, embora alimentasse a esperança de dissociar o virtual do falso. O início foi difícil, Benjamin não via graça alguma em romances à distância. Namoro sem olho no olho, sem abraço nem toque não era pra ele, dizia. Logo rendeu-se. Pouco depois, decepcionou-se. Duas desilusões, um golpe e alguns pedidos de aproximação negados foram suficientes para desanimá-lo.
Depois das desilusões virtuais, Benjamin decidiu profissionalizar o amor, comprou um pacote num site de namoro fake. Questionado pelos amigos, justificou a compra como necessidade de investimento em marketing pessoal, sem negar, todavia, que havia gostado da experiência. Ao menos a gente entra sabendo o que esperar, disse ele. Escolheu o pacote “Namoro Sério” com duração de um mês. O preço foi um pouco salgado, R$ 199,00, mas deu direito a trinta comentários da moça no seu perfil e mudança de status no Face para causar mais impacto. Pagou em dez vezes pelo PagSeguro e ainda ganhou cashback. Um bom negócio. Para todos os efeitos, Benjamin tem agora uma namorada que escolheu dentre várias candidatas e garante que ela é real – apenas mulheres reais prestam o serviço, o site não mantém perfis falsos, explicou.
Não entendo do assunto, não tenho condições de opinar, mas percebo que sua vida mudou. Benjamin anda feliz. O namoro fake está abrindo novas possibilidades de relacionamentos virtuais verdadeiros. Vendo sua namorada fake, outras meninas, antes inacessíveis, passaram a se interessar por ele. É uma questão de imagem, revela o novo candidato a Casanova virtual com um sorriso nos lábios. Sou um cara legal, só precisava de um empurrãozinho.
Autoestima é tudo. Benjamin não tem mais problemas com relacionamentos virtuais. Namoros tradicionais com encontros estão fora dos planos por enquanto. Está certo, deve aproveitar o sucesso conquistado no mundo virtual e encontrar formas de manter acesa a chama das paixões na nova realidade imaterial. Imagino ser tarefa difícil para um sujeito vindo do tempo em que se amava com todos os sentidos.
Mas quem disse que Benjamin julga importante manter a chama acesa? Apagou, acenda outra. Benjamin mudou, sente-se agora um homem moderno e reforça a tese de Zygmunt Bauman de que a modernidade é líquida. Ela é mesmo líquida. Escorre pelos dedos e se recompõe na tela. Quem diria que amaríamos através de vidro? Quem diria que faltava apenas um empurrãozinho virtual a Benjamin? Quem diria…
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