Corais e outras descobertas



Você deve ter reparado que não houve crônica na última semana. O motivo foi dos melhores: férias em Aruba para comemorar as Bodas de Coral. Nada mais apropriado do que um passeio de submarino pelos corais de Oranjestad para celebrar a data.

Viajar é bom, ainda mais para um lugar que parece ter saído de um catálogo de paraísos. A gente volta meio destruído, é verdade, mas vale cada minuto. Conhecer lugares, conhecer pessoas interessantes, viver experiências improváveis. E foram muitas.

Comemos muito bem. O prato mais curioso foi um "chicken com ingredientes veganos", no qual o único — e fatalmente prejudicado — foi o próprio frango.

As pessoas, aliás, continuam sendo a grande riqueza de qualquer viagem. Não fosse o desvio do voo de ida para Manaus, não teríamos conhecido o Igor, simpático motorista de Uber que nos levou ao hotel reservado do aeroporto já depois da meia-noite. No caminho, demonstrou algum conhecimento sobre os gaúchos.

— Assim como nós, vocês também são divididos entre azuis e vermelhos - disse ele.

Depois de uma rápida conversa, concluímos que todos eram Caprichosos.

Aruba vive do turismo e do trabalho de muitos imigrantes, boa parte deles venezuelanos que deixaram o país ainda nos tempos de Hugo Chávez. Como em Nova York, tudo funciona. Se você marcar um encontro às onze horas no saguão do hotel, esteja certo de que a outra parte estará lá no horário marcado. Se o folheto informa que o barco partirá às cinco da tarde, ele partirá às cinco da tarde. Não há atrasos, jeitinhos nem desculpas. Combinado é combinado. As pessoas são educadas e acolhedoras, e a eficiência chega a ser quase comovente. Tudo é organizado, tudo funciona, e até as poucas filas andam depressa. Pontualidade e eficiência também são possíveis nos trópicos.

Outra experiência inesquecível foi assistir ao jogo entre Brasil e Japão em um telão instalado no MarketPlace, um shopping quente a céu aberto no centro da cidade. No começo, éramos poucos brasileiros. Aos poucos, outros foram chegando, e a arquibancada improvisada se transformou numa festa verde e amarela com final emocionante.

Também assistimos México e Equador em um restaurante cercado por telões com som estridente e tomado por torcedores mexicanos. O gerente e os garçons viviam a partida como se estivessem em campo: contorciam-se a cada lance do adversário e comemoravam cada gol do México com dancinhas e gritos de guerra.

Enfim, estou de volta. Cansado, mas feliz.

Viajar continua sendo um dos grandes prazeres da vida. As Bodas de Coral foram muito bem celebradas. A única coisa que não deixa saudades é o vento. E, depois dos sessenta, descobri mais uma vantagem inesperada: envelhecer tem seus inconvenientes, mas a fila preferencial nos aeroportos vale ouro. Melhor ainda quando ninguém pede o comprovante da vacina contra a febre amarela. 

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